Amor por Contrato.

Quem nunca desejou ter um tênis ou uma bolsa igual a do amigo? Quem nunca quis imitar o modo de se vestir de sua vizinha ou de uma mera passante pelas ruas da cidade? Quem nunca arregalou os olhos para o belo carro do bem-sucedido colega de faculdade?

E se todas essas pessoas fossem pagas para usarem esses produtos e provocarem a inveja em você, fazendo-o ir às compras imediatamente? Pois éééééé, esses farsantes existem no mundo cinematográfico e é disso que o filme vai tratar!

Eles protagonizam este “Amor por Contrato”, uma surpreendente crônica sobre o consumismo que fará os publicitários mais fanáticos vibrarem, assim como eu fiquei beeem interessada no filme..

Aqui essas pessoas integram uma única família, mesmo que de mentira. Eles formam os Jones, uma unidade de venda disfarçada, instalada logo na casa ao lado. E eles não poderiam ser mais perfeitos. Bonitos, ricos e extremamente simpáticos, eles acabam de se mudar para um bairro da alta sociedade norte-americana a mando de uma empresa de publicidade chamada LifeImage, que tem como objetivo acelerar as vendas nas redondezas do bairro. Habitando uma mansão nada menos do que espetacular, essa família provoca as mais previsíveis reações nos vizinhos.

Quem lidera a trupe é a mãe Jones, Kate (Demi Moore), uma mulher doce, mas extremamente ambiciosa e competente quando o assunto é promover produtos. Ela faz par (pela primeira vez, depois de seis “maridos”) com Steve (David Duchovny), um novato no ramo que parece ter enorme potencial. Seus “filhos” são o casal Mick (Bem Hollingsworth) e Jenn (Amber Heard), os mais bonitos da escola e da faculdade, respectivamente. Juntos eles são uma estratégia de marketing inovadora e que começa muito bem ao despertar em seus recentes “colegas” a ânsia por comprar impulsivamente, sem medir o que realmente podem gastar.

Partindo de uma premissa bastante original, o primeiro filme do diretor Derrick Borte aposta em uma crítica explícita a sociedade de consumo, onde nunca se está satisfeito com o que tem, onde o “quero mais” é expressão de ordem. Dispensando uma comicidade barata que longas sobre o assunto costumam optar, “Amor por Contrato” adota um tom sóbrio que o permite transitar do romance ao drama, trazendo certa profundidade aos seus personagens e deixando bem clara ao público a seriedade de sua mensagem.

Os Jones são uma família-modelo (ou de modelos) que vendem absolutamente de tudo, da mobília da casa ao batom, do tênis ao celular, da comida congelada ao carro importado.

E quando todos começam a os imitar, não há exageros nas cenas escritas pelo cineasta. Talvez a própria realidade já traga consigo o seu grau de absurdo, que se torna dispensável incrementar com caricaturas. Então, aqui não temos patricinhas, dondocas, “filhinhos de papai” ou estereótipos do gênero. Aqui temos pessoas reais que não conseguem controlar o impulso de gastar, que nunca estão satisfeitas se não tiverem em pouco tempo o que o vizinho esbanja a toda hora.

Além disso, há excessos de inocência no tratamento dado ao núcleo coadjuvante formado pelos vizinhos da família. São eles os personagens escolhidos para servirem de exemplo dos exageros do consumismo, mas as consequências de seus atos não poderiam ser mais inverossímeis. Em suma, o roteiro força uma lição de moral demasiadamente didática e acaba por desmoronar, em parte, toda a credibilidade e inteligência de sua crítica exibida na primeira hora. E tudo em um nível dramático que vai além do que a direção pode alcançar. Mesmo assim, ainda vale conferir as boas intenções da obra.

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