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Osklen no SPFW 2011 | Outono-Inverno

E das cinzas fez-se a coleção.

O incêndio que destruiu parte da fábrica e do acervo da Osklen em fevereiro de 2010 foi o ponto de partida para o inverno 2011 da marca.

Antes do desfile, imagens aéreas do local no dia do fogo. Eis que entra a primeira modelo e, surpresa: diferente do que se poderia prever, ela veste um pull de cashmere verde esmeralda. Em seguida, uma série de outros cashmeres coloridos (produzidos na Itália e tingidos no Brasil) como mostarda, azul royal e um vermelho vivo de encher os olhos.

Apesar de tomar o acidente como referência, Oskar Metsavaht  constrói a coleção a partir da reflexão sobre a trajetória da marca. O resultado são peças ao sabor da Osklen: aparentemente descomplicadas, mas supersofisticadas.

A modelagem ampla e confortável está lá, assim como as golas cheias, que às vezes aparecem estruturadas cobrindo o rosto até os olhos. Mas, nem tudo é o que parece. Oskar brinca com o efeito visual em várias peças: o vestido de couro ganha mangas postiças de cashmere que são amarradas no colo, como se fossem um cardigã, proposta que se repete de outras formas, como as mangas amarradas na cintura ou nas costas; o vestido, de frente, parece na verdade um conjunto de saia de couro + top cropped de cashmere e, quando outra modelo dá a volta na passarela é que se percebe que o conjunto lindo de shorts e blazer trata-se na verdade de um macaquinho.

Batizada de fênix, a ave da mitologia grega que renascia das próprias cinzas, a coleção mostra que a natureza, seja no refrescante mergulho que embalou o verão anterior da marca ou na sua faceta mais perversa, será sempre parte da Osklen

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Maria Bonita no SPFW 2011 | Outono-Inverno

José Alves de Oliveira, o seu Zé, trabalhou na construção dos prédios da Câmara dos Deputados e do Senado Federal de Brasília. Mas não chegou a conhecer o local por dentro depois que as formas de ferro foram cobertas por concreto. “A gente não pode entrar lá dentro. Deixam não. Só quando tava na obra mesmo. Até que não tenho vontade de ir lá não”, diz o relato do trabalhador que integra o release da coleção da Maria Bonita.

Para o inverno 2011 da marca, a estilista Danielle Jensen olhou para os candangos de todo o Brasil que ajudaram no desenho da capital federal durante a década de 1950. E, como se numa forma de agradecimento e reconhecimento, deu uma interpretação mais humana ao trabalho desses homens que levantaram a cidade.

Na passarela, o tema tomou conta das roupas e foi parar também na trilha sonora, na voz de Chico Buarque em Construção. Os vestidos, por exemplo, foram construídos a partir de uma base de seda pura que ganhou feltragem em alguns blocos. Outras peças, como os tops fechados sem mangas, contam com pedaços de azulejo de resina triangulares aplicados sobre a malha, uma referência ao trabalho de Athos Bulcão. Lindas, as pastilhas de cerâmicas com brilho foram salpicadas sobre a malha de lã que apareceu em forma de vestidos e até uma espécie de avental/pochete. As modelagens amplas e confortáveis deram um toque de simplicidade sofisticada à coleção.

Entre os acessórios, destaques para a clutch de metal, inspirada nas marmitas, e para a bolsa de acrílico transparente, cujo desenho imita a forma adquirida por uma bolsa feita de tecido maleável ao ser carregada. Uma apresentação sensível e linda de se ver.

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Cori no SPFW 2011 | Outono-Inverno

A boca de cena do desfile da Cori já denunciava o tema da coleção.

Andrea Ribeiro e Giselle Nasser buscaram no trabalho do renomado arquiteto Frank Lloyd Wright – criador do Guggenheim Museum de Nova York – a inspiração para as formas e cores do inverno 2011 da grife. “Partimos de conceitos como a arquitetura e a construção, mas sempre respeitando a natureza do feminino”, explicou Giselle em entrevista ao MODASPOT.

As formas vieram retas, com uma alfaiataria marcada pelos recortes geométricos e pela mistura de tecidos. A cartela de cores é urbana, com muito cinza, marinho, preto, nude e verde musgo.

Camelo, vermelho e amarelo também apareceram.

Calças cropped de cintura alta e saias plissadas são as peças-chave da estação.

As estampas e materiais mimetizaram elementos das cidades. O casaco de Vivi Orth, por exemplo, lembrava a textura de um reboco de muro. Já o vestido de Bruna Tenório poderia muito bem representar um edifício com janelas espelhadas ou um painel de energia solar. Sem muita relação com as metrópoles mas muito interessante, o argyle com detalhes transparentes foi uma das surpresas.

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Juliana Jabour no SPFW 2011 | Outono-Inverno

Juliana Jabour parece querer cada vez mais se afastar da imagem de marca jovem que lhe ficou característica.

Seu inverno aparece mais sombrio: no lugar das cores pastel e calmas, preto, marrom, vinho; ao invés das estampas infantis, animal prints estilizadas e um floral retrô. Saem também os volumes exagerados que cedem lugar a uma silhueta mais esguia, conseguida com o ótimo trabalho de alfaiataria em calças, macacões e blazers lânguidos e molinhos, ótimos para alongar o corpo.

Ficam os cardigãs e tricôs oversized – mais elegantes as versões que ganham fios de lurex, brilho que, aliás, aparece em lindos vestidos longos de tricô com a cintura baixa. A melhor parte da coleção é a que traz saias longas combinadas com t-shirts e camisas, ora sobrepostas, ora amarradas na cintura, recurso que entrega o tema do desfile: uma alusão ao movimento grunge. Merecem destaque também os acessórios, como as bolsinhas franjadas coloridas e as botinhas amarradas estilo cortuno – mais atuais que as flats arredondadas que são a cara das coleções da estilista.

Na sua estreia nas passarelas do SPFW, Juliana mostra que sua cliente amadureceu e que ela pode entregar um trabalho mais sofisticado sem esforço. Fica clara também a sintonia entre a estilista e Daniel Ueda, stylist habitual dos seus desfiles, cuja parceria podia muito bem extrapolar as semanas de moda, como faz a dupla Alexandre Herchcovitch e Maurício Ianês há muitos anos.

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Samuel Cirnansck no SPFW 2011 | Outono-Inverno

Samuel Cirnansck conta uma pequena história para explicar seu desfile de inverno 2011.

“É uma mulher urbana. Quebra o carro, ela fica perdida na floresta e é sucumbida pela mata”.

A questão ambiental foi o que motivou a criação do enredo. “A ideia é refletir o que está acontecendo no planeta hoje. A floresta está reivindicando seu espaço”, conta.

A apresentação começou justamente com um video de uma mulher explorando um local desconhecido. Logo, apareceram na passarela casacos de couro e lã em tons terrosos, calças de cintura alta, camisas românticas e até shorts.

Os famosos vestidos de festa do estilista apareceram só no meio da apresentação, em uma combinação inusitada de azul e renda creme. Os galhos e cipós que apareceram em blusas, vestidos e bolsas – referência ao trabalho do escultor americano Patrick Dougherty – eram meramente figurativos.

Na coleção que vai para as lojas eles aparecerão em forma de bordados e estampas. A única pele usada nas peças foi a de coelho em cor preta. “Como ele serve de alimento, fica dentro do conceito de sustentabilidade”, justifica o estilista. Os casacos marrom com aspecto de pelúcia e as peças brancas que imitam pele de carneiro foram feitas de tecido desfiado. Silicone, couro e látex também foram usados, além do vinil de aspecto croco da última série do desfile. Há algumas temporadas Samuel vem se distanciando de sua característica “moda noiva” para apostar em uma vertente mais comercial.

É uma manobra arriscada, mas se depender do rigor com o qual trabalha seus modelos e materiais, tem tudo para dar certo.

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Iódice no SPFW 2011 | Outono-Inverno

“Jet setter”, com essa expressão Valdermar Iodice descreveu a mulher do seu inverno 2011.

O destaque da coleção foram os materiais: couro, jérsei, seda, lã e a pele de coelho, que, ao mesmo tempo que se firma como uma tendência, levanta a discussão sobre a necessidade de usar esse tipo de material em um país tropical.

“No sul chega a nevar. A mulher do Rio Grande do Sul tem condições de usar um overcoat de pele”, argumenta Valdemar. A matéria-prima apareceu em peso. Em estolas, casacos, decorando sandálias e até em curiosos vestidos com “franjas”.

O preto dominou a primeira parte do desfile, em malhas, leggings e vestidos com tachas. A jaqueta perfecto de Alicia Kuczman e os pesados acessórios dourados têm cara de hit imediato. Aos poucos o laranja, cor que marcou a coleção, apareceu em modelos de jérsei. A cartela de cores contou ainda com nude, cru, marrom e branco.

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Colcci no SPFW 2011 | Outono-Inverno

Tinha muito acontecendo na sala de desfile da Colcci néé… De astros de Hollywood a cantores teens, passando por atriz global, isso sem contar a presença de Gisele Bündchen – em seu último desfile pela marca –, Alessandra Ambrósio e Ashton Kutcher que, no final, não desfilou e apenas acompanhou os estilistas Adriana Zucco e Jeziel Moraes pela passarela quando o desfile acabou.

Entre as roupas, boas peças de lã, como a hotpant desfilada por Alessandra Ambrósio, o mantô camelo e os modelos com estampa pied-de-coq. O tricô, de pontos largos, também faz bonito, inclusive na cor, um alegre azul royal.

Há ainda espaço para peças de couro, como um vestido tubinho rosa chiclete ou o conjunto de hotpant + top pretos, e modelos texturizados como o macaquinho de lã cru todo trabalhado.

O jeans, especialidade da marca, aparece com menos importância. A dupla de estilistas, que assumiu o cargo deixado por Jessica Lengyel em setembro do ano passado, cumpriu a promessa da marca de dar uma nova cara a Colcci. Mas a mudança é gradual e esse foi só o primeiro momento.

Vamos esperar por maaaais e mais né?

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